Passei toda a minha infância viajando muito em família. Eram outros tempos, quando bastava pegar as crianças e algumas malas pra cair na estrada; não existia essa preocupação em levar brinquedos, iPad e uma mala de remédios, entre outras coisas. Fizemos muitas viagens de carro. Puxando aqui pela memória, sei que fomos - papai, mamãe e filhinhas (durante alguns aninhos só uma filhinha, no caso, eu. Minha irmã chegou depois, e por um período meu irmão também estava junto) - para Gramado (RS), Caxambu (MG), Morro dos Conventos e Piçarras (SC), Brasília (DF), Caldas Novas (GO), Curitiba (PR), Ilhéus e Salvador (BA).
Pois é. Acho que dá pra dizer que eu fui uma criança bem rodada. Dentro dessa cenário, existiam duas possibilidades: eu podia crescer e odiar viagens devido ao trauma de passar taaaaantas horas dentro de um carro, ou eu podia me tornar uma adulta que adora viajar. Trauma? Aqui não. Até hoje uma das coisas que eu mais gosto nessa vida é ver o sol nascendo ou se pondo na estrada. Então, acho que já ficou bem claro que acabou vencendo a segunda opção.
Assim, não foi surpresa pra ninguém quando, pela primeira vez na minha vidinha de assalariada, sobrou um pouco de dinheiro e eu resolvi viajar. Foi em 2008. O destino escolhido foi Buenos Aires por motivos de: o peso argentino estava bem barato, e, convenhamos, isso é quase sempre um fator decisivo quando você está fazendo planos de viagem. Papai tinha umas milhas da finada Varig que estavam pra vencer e me deu as passagens de presente. E aí, lá fui eu conhecer a capital argentina. Como companhia, uma Sony Alpha100 que eu havia ganhado de presente de um tio no começo do ano. E só.
Fiquei 4 dias em BsAs: três perambulando sozinha pelas calles portenhas e um com o Pablo, guia que acabou virando amigo e com quem já encontrei por lá outra vez. Diz Pablito que nenhum rinconcito da cidade passou ileso pela minha câmera (nem sei se ele lembra que falou isso, mas eu nunca esqueci! rs). Realmente, voltei de lá com as malas cheias de alfajor, claro, e um cartão de memória com muitas fotos.
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Fiquei hospedada no bairro de Palermo, um dos maiores e mais charmosos da cidade. Lembro que logo depois de fazer o check-in no hostel, fui almoçar e já saí passeando e clicando pelas redondezas. A primeira parada foi o Jardín Botánico, um lugar lindo onde a arte e a natureza convivem em perfeita harmonia. A foto acima foi uma tentativa de capturar essa convivência. Até hoje não sei quem chegou primeiro, se foi a árvore ou a estátua. Sei que as duas se completam, lindas. Em seguida fui ao Jardín Japonés, que também fica na mesma região.
No dia seguinte, andei muito - muito mesmo - pela cidade inteira. La Boca, Caminito, San Telmo, Calle Florida, Plaza de Mayo, Puerto Madero e mais, muuuito mais. Embora o tempo estivesse nublado, com direito a uma garoinha chata em alguns momentos, a turistança foi bem proveitosa. Um lugar que eu gostei bastante de conhecer foi o estádio La Bombonera. Pra quem curte futebol, é impossível não sair de lá com vontade de voltar pra assistir um jogo do Bocajuniors.
Depois de dois dias de céu cinza, o sol resolveu enfim aparecer nas terras portenhas. Aproveitei pra revisitar alguns lugares onde tinha ido no dia anterior, pra curtir o céu azul e o clima gostoso. Os escolhidos foram Puerto Madero e a Recoleta.
Desde essa primeira ida a Buenos Aires, sempre tento fugir das tais fotos "clichê". Nada contra, acho que elas têm um papel importante nos registros de viagens e, além disso, cada um fotografa aquilo que quer. Perceba que eu usei a palavra "tento" lá no começo, o que quer dizer que nem sempre sou bem-sucedida. Eu gosto de procurar ângulos diferentes, ou encontrar em algum lugar que todo mundo vai algo que quase ninguém vê. Não é à toa que essa foto aí embaixo é a minha favorita dessa viagem: foi em algum lugar do Caminito, e quando voltei à cidade em 2011 não consegui encontrar essas duas chicas por lá.
Foi assim que eu descobri a minha combinação favorita: viajar e fotografar. Viagens e fotos. Pra mim não existe par melhor que esse na vida. Fotografar é uma paixão, e fazer isso ao mesmo tempo que conheço ou revisito um lugar provoca uma sensação de euforia que acho que nunca vou conseguir colocar em palavras. Talvez nem precise. Talvez as imagens falem por si.
Por enquanto, viver de viajar e fotografar é só um sonho. Já rolou um trabalho que envolvesse as duas coisas, mas foi o único até aqui. Quem sabe um dia? Vai que essa página me leva até à Lonely Planet ou à National Geographic. Nunca se sabe. Pelo menos sonhar ainda é de graça.






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