sábado, 26 de dezembro de 2015

"Penetra surdamente no reino das palavras..."

Eu gosto de museus. Gosto da arte neles presente, gosto da arquitetura dos prédios que recebem o nome de museu, gosto do cheiro, gosto do silêncio que reina em muitos deles, gosto do ambiente, gosto de me envolver na cultura e na história que existem nesses lugares.

Eu gosto também da língua portuguesa. Gosto dos sons, das palavras, da maneira como elas se interligam, dos sotaques daqui e d'além mar. Gosto da literatura em língua portuguesa, dos conflitos humanos traduzidos em palavras nessa língua que tenho orgulho de chamar de minha.

Assim, como eu poderia não gostar de um museu todinho dedicado a língua portuguesa?

Crianças correndo na Grande Galeria

O Museu da Língua Portuguesa, localizado dentro do icônico prédio da Estação da Luz, em São Paulo, foi inaugurado em março de 2006. Alguns meses depois, lá estava eu me enveredando pelas veredas de Guimarães Rosa na primeira das muitas exposições temporárias que passaram por lá. Nos quase 10 anos de vida desse espaço cultural, voltei incontáveis vezes para visitas às mostras, para rever o acervo permanente e, claro, para fotografar.

Grande Sertão: Veredas, a primeira exposição

Ao longo desse tempo, fui estabelecendo uma relação afetiva com esse espaço. Moro perto da Luz, e o Museu da Língua Portuguesa acabou me levando também para a Pinacoteca e para o Parque da Luz. Passei, e ainda passo muitos domingos por ali, fotografando ou só passeando mesmo.

Lembro de cada uma das exposições que vi por lá. Algumas foram mais marcantes que outras, claro. Visitei a primeira, sobre o livro Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, duas vezes e, se pudesse, voltaria no tempo agora para uma terceira visita, que certamente seria aproveitada de outra forma depois de quatro semestres de estudo de Literatura Brasileira, sendo um deles sobre esse autor. Lembro que estava começando a me aventurar na fotografia lá por 2006 e fiz algumas imagens da exposição; hoje com certeza faria muitas mais.

Clarice Lispector

Lembro das gavetas de Clarice Lispector, dos capítulos de Machado de Assis, dos poemas de Fernando Pessoa escritos virtualmente na areia. Da exposição Menas, de 2010, uma das fotos que fiz virou capa de livro didático (confira aqui). Na exposição sobre Cazuza, fui a primeira a entrar no Museu num domingo qualquer, e durante um bom tempo aquele espaço foi só meu. Brinquei muitas vezes no Beco das Palavras, e na Praça da Língua sempre repetia baixinho alguns dos poemas declamados ali que eu sei de cor. Na minha última visita, li poemas de autores contemporâneos pouco conhecidos perfeitos para o momento pelo qual estava passando na época. Cada uma dessas exposições me tocou o coração de um jeito diferente.

O telefone amarelo do Cazuza

Um dos aspectos mais interessantes do Museu da Língua Portuguesa pra mim é, sem dúvida, a interatividade. Mesmo nas exposições temporárias, essa sempre foi uma característica presente e marcante desse espaço. Já estive em alguns dos museus mais famosos do mundo, como o British Museum, o Louvre e o Prado, e em nenhum deles existe essa possibilidade de interação com o acervo. Acho que isso, além do fato de ser o único museu dedicado a uma língua, fez dele um espaço tão especial e singular. Talvez seja essa interatividade um dos grandes responsáveis pelos quase 3 milhões de visitantes que passaram por lá, já que vivemos em um país onde a maioria da população não gosta de língua portuguesa e não se interessa por literatura. Olha só: em 9 anos, essa gente toda teve a oportunidade de conhecer mais sobre a nossa língua, e, por consequência, sobre a nossa cultura.

Poema de Fernando Pessoa "escrito" na areia

Por tudo isso, foi impossível conter as lágrimas ao ver o Museu da Língua Portuguesa tomado por um incêndio, totalmente destruído. Mais do que um instrumento de fundamental importância num país tão carente de espaços culturais, o Museu da Língua Portuguesa era um lugar meu, do meu coração. Foram quase 10 anos de uma convivência próxima e estreita. É um lugar que faz parte das minhas escolhas profissionais, da minha história, da minha vida, enfim.

Crianças brincando de fazer sombras na Grande Galeria
Nessa época do ano em que tanta gente faz pedidos, deixo aqui o meu desejo: que o Museu da Língua Portuguesa, tão querido, seja restaurado e volte logo a funcionar, ainda mais bonito e mais interessante. Enquanto isso não acontece, revejo as fotos com o coração cheio de saudade.


domingo, 22 de novembro de 2015

Fotografias Falam



Em 1972, a fotografia de uma garotinha nua, chorando enquanto corria por uma estrada depois de um ataque de napalm, abriu os olhos do mundo para os horrores da Guerra do Vietnam. Embora a maior parte do seu corpo tenha sido queimada, ela sobreviveu, se formou médica e criou uma fundação de apoio a outras vítimas de guerra. O fotógrafo Nick Ut ganhou um Prêmio Pulitzer por esse trabalho, e Phan Thi Kim Phuc ainda é conhecida como "a garotinha da foto icônica".

Vinte e um anos depois, outra criança, outra foto. Uma criança sem nome em um país africano, o Sudão. Uma garotinha morrendo de fome, observada por um abutre que talvez estivesse apenas esperando que ela morresse. A fotografia abriu os olhos do mundo para as guerras e a fome na África em 1993; no ano seguinte, o fotógrafo Kevin Carter ganhou um Prêmio Pulitzer, mas não antes de ser julgado, no entanto, pelos milhões de pessoas que viram o registro desolador feito por ele. Todos queriam saber o que havia acontecido com a garotinha e, acima de tudo, a pergunta para a qual todos queriam uma resposta era: por que ele não ajudou a menina em vez de tirar a foto? A fotografia, a criança, o prêmio, e essa espécie de júri popular ao qual o fotógrafo foi submetido o assombraram demais. Carter condenou a si mesmo à pena de morte, e cometeu suicídio em 1994.



Outros vinte e um anos depois, somos mais uma vez atingidos por uma fotografia de uma criança. Por que aquele garotinho está deitado na praia? Ele está dormindo? Não, garotinhos não dormem assim, com suas cabecinhas na água. Mas então, por que?, nós nos perguntamos. O garotinho tem um nome, é Aylan Kurdi. Ele é mais uma vítima das atrocidades que acontecem entre a Síria e a Europa. Aylan não foi morto por balas ou bombas, ele estava tentando fugir delas. Aylan era um refugiado; ele morreu afogado a caminho da Grécia e foi encontrado em uma praia da Turquia, na mesma posição em que muitos garotinhos da sua idade dormem, sãos e salvos nos seus berços em casa.


Quarenta e três anos separam Phan Thi Kim Phuc - a garota em chamas - de Aylan, o garoto na praia, com a menina sudanesa entre eles. Todas essas fotografias tiveram impacto não apenas na sociedade como um todo, mas em cada pessoa que as viu, mesmo que tenha sido só de relance. Nos sentimos abalados e desconfortáveis quando as vemos. Queremos saber quem fez as fotos, quem eram ou quem são aquelas crianças, o que aconteceu com elas antes e depois daquele momento congelado no tempo. Cada foto tem sua própria história, e nestas as histórias são devastadoramente tristes.

Nós nos identificamos com essas fotos. Todos nós fomos crianças um dia; no entanto, a maioria de nós cresceu longe dos horrores das guerras e da fome. Nós pudemos ser crianças, não tivemos nossa infância abruptamente interrompida pelo napalm ou por uma fuga num barquinho no meio da noite que nos fizesse deixar pra traz a vida como a conhecíamos. Nós também somos mães e pais e ver uma criança - qualquer criança - em situações como essa é extremamente dolorido.

Fotografias são mais que apenas imagens. Elas falam, e nos contam dos horrores do mundo dos quais queremos manter distância. Elas colocam diante dos nossos olhos o lado horrível da humanidade que queremos ignorar. Nós as compartilhamos, nós sofremos, ficamos indignados com elas. Até que as esquecemos. Até que somos atingidos por outra fotografia, por outras Phan Thi Kims ou outros Aylans. Por outras garotinhas sem nome. Por outros horrores causados pelo homem em nome das guerras e do dinheiro.



domingo, 1 de novembro de 2015

Sobre Fotos e Viagens

"Viajar é assim; é viciante. A fotografia também. 
Combine os dois e você tem uma vida inteira de 
inquietação em que a próxima viagem é 
planejada antes mesmo que a que você está 
fazendo termine, se o tempo e 
o dinheiro permitirem."

Richard I'Anson


Li essa frase anos atrás em um livro sobre fotografia da Lonely Planet e me identifiquei no ato. Viajar e fotografar são de fato coisas completamente viciantes, tanto que eu não consigo separar uma da outra. Enquanto planejo uma viagem, eu juro, já vou pensando nas fotos que quero fazer, qual é o melhor horário do dia pra visitar cada lugar por motivos de luz/menos gente passando na frente da câmera, quais são os melhores ângulos e por aí vai. 

Acontece que existem diferentes experiências fotográficas, digamos assim, durante uma viagem. Existe o registro daquilo que você está vendo e vivendo em um determinado lugar e existe o registro que mostra a sua passagem por aquele lugar. Hoje, o acesso a equipamentos fotográficos é infinitamente mais fácil que anos atrás; quase todos os aparelhos celulares, por exemplo, têm uma câmera fotográfica embutida. Junte isso às redes sociais e pronto! Mostrar que você esteve em Paris se torna mais importante do que tudo que você viu e viveu por lá. É o que eu tenho visto acontecer por aí, infelizmente.

O fotógrafo brasileiro Fabio Seixo levantou uma reflexão sobre esse assunto tempos atrás, com seu projeto Photoland. Seixo fez diversas imagens de pessoas fotografando ao redor do mundo na tentativa de mostrar que o ato de fotografar vem se tornando mais importante que a vivência. Alguns dos cliques dele você pode ver aqui.

De fato, nas minhas andanças por aí - dentro e fora de São Paulo, diga-se de passagem - tenho percebido cada vez mais que muita gente hoje em dia tem uma necessidade imensa de "marcar território". É aquela coisa: você vai ao Louvre e em vez de ver a Mona Lisa, fotografa a Mona Lisa. Vai a um show e, na hora que a banda toca sua música favorita, você saca o celular pra filmar, e em vez de curtir a apresentação ali, ao vivo, você fica olhando pro retangulozinho que é a tela do aparelho pra ver se está filmando mesmo. Fotos e vídeos vão direto pras redes sociais. Quantos likes será que a selfie com a Mona Lisa merece?

Lembro de uma coisa que aconteceu no ano passado quando estava em Portugal. Enquanto esperava na fila para entrar na Torre de Belém, ouvi a conversa de dois casais brasileiros. Um dos maridos dizia que foi "naquela BH de Nova York" e pediu "a câmera mais cara da loja". E aí estava lá, fazendo fotos do lugar sem mal saber segurar a tal câmera caríssima; fotos da esposa, dele e da esposa, do casal que tinham acabado de conhecer na fila. Minutos antes, esse mesmo cara havia dito que não sabia porque estava naquele lugar, porque "aquela velharia" (sim, essas foram as palavras dele, eu juro.) era importante. Ou seja, ele não queria estar ali, não sabia porque estava ali, mas as fotos, ah!, essas com certeza foram pro Facebook e pro Instagram, pra mostrar pros amigos a passagem por Lisboa.

Calma lá! Não estou querendo dizer aqui que a gente não deve de jeito nenhum fazer selfies e marcar a nossa visita a algum lugar. Isso não é errado, de forma alguma! Eu mesma já fiz isso muitas vezes. Na minha última viagem de férias até criei a hashtag #allbymyselfie - um trocadilho com o nome da música All By Myself, já que eu estava viajando sozinha - para os meus autorretratos compartilhados nas redes sociais. Acho que esse tipo de registro é uma parte gostosa da viagem, e é importante, sim. O problema é quando ele passa a ser mais importante que a viagem em si.

#allbymyselfie no Porto
Ainda nessa viagem do ano passado, nos dias em que estive em Barcelona tive a oportunidade de ver algo com que eu sonhava desde pequena (pra ser mais exata, desde a abertura dos Jogos Olímpicos de 1992 - sim, eu lembro, e se você não lembra é só clicar aqui): os castellers, que fazem parte de uma tradição catalã chamada castells, que são basicamente torres humanas. Lembro quando a dona do apê disse que os castellers estariam na Festa Major del Raval. Meu coração veio na boca! A primeira coisa que eu pensei foi que finalmente eu realizaria meu sonho de ver aquilo ao vivo e a cores. A segunda foi que eu conseguiria fotografar aquilo. Pois é.


No dia seguinte, lá estava eu na Rambla del Raval, câmera a postos, coração a mil e dedinho nervoso pra começar a clicar logo. Vi os castellers chegando e se preparando, me arrepiei até o último fio de cabelo quando começaram a tocar o Toc de Castells. Sim, eu fiz um videozinho no celular. Sim, eu fotografei muito. Mas não o tempo todo. Guardei a câmera na bolsa e curti o momento, torres subindo e descendo, crianças pequenas e corajosas indo ao ponto mais alto delas, gente se ajudando nessa tradição que é um exemplo de trabalho coletivo. Ao meu redor, muita gente acompanhado tudo, o tempo todo, por telas e visores.


Fiz muitas fotos legais nesse dia. São um registro do que eu vi que não só vão me fazer lembrar daquele momento pra sempre, mas que também podem mostrar pra quem não estava lá o que foi esse momento. O que vi. Agora, o que eu vivi é só meu. A emoção de estar lá, o arrepio, o calor, a sensação... A experiência é só minha. E, sem dúvida, ela é infinitamente maior e melhor que as fotos.

Fotografar em viagem é uma delícia. Ver as fotos depois é mais gostoso ainda. Só que a gente não pode deixar que isso se torne mais importante que a viagem em si. Às vezes é bom largar a câmera e o celular e simplesmente curtir o momento, pois existem muitas coisas que esses aparelhos nunca vão conseguir registrar. Essa memória física, congelada, é muito legal. Compartilhar com os amigos também. Mas as histórias vividas em uma viagem costumam ser bem mais interessantes. As fotos são apenas parte de algo muito maior, que é a experiência de conhecer outros lugares, pessoas, culturas. Afinal, cá entre nós, se for só pra fazer selfie com a Torre Eiffel de fundo, não há nada que um Photoshop não resolva. Pra que cruzar o oceano? rs

sábado, 17 de outubro de 2015

Tibidabo

Ti-bi-da-bo. Parece trava-línguas. Ou alguma brincadeira de criança. A segunda opção está mais próxima da verdade. O Parc d'Atraccions del Tibidabo é um parque de diversões que fica no topo da montanha de mesmo nome. Daí você deve estar se perguntando: "um parque de diversões no alto de uma montanha? Como isso é possível?" Pois eu te digo que esse lugar existe, sim. E tenho como provar:


Quando estive em Barcelona pela primeira vez em 2010, fui conhecer o Parc Güell - aquela lindeza de lugar que une a natureza à genialidade do Gaudí, e que  certamente será assunto de um post futuro. De lá dava pra ver que no alto de uma montanha existia um parque de diversões. Fiquei curiosa pra saber que lugar era esse, mas como tinha apenas três dias na cidade, nem procurei mais informações. Já de volta ao Brasil, estava assistindo Vicky Cristina Barcelona e eis que, de repente:



Pois é, lá estava o Javier-muso-Bardem no tal parque. Daí foi só fazer uma pesquisa rápida no google pra descobrir que lugar era esse. Ficou na minha listinha de "coisas pra fazer em Barcelona" quando voltasse à cidade. No ano passado, eu finalmente voltei e fiz questão de incluir o Tibidabo no meu roteiro.


Na primeira foto desse post dá pra ter uma ideia da distância entre o parque e o centro da cidade. Chegar até lá leva um tempinho, mas a jornada vale a pena: depois de tomar um trem na Plaça Catalunya, você chega a Avinguda Tibidabo. Sim, o nome é o mesmo, mas você ainda não chegou ao destino final. Lá, você toma o Tramvia Blau, um simpático e antigo bondinho que sobe o morro passando pelos casarões antigos do bairro de Sarriá. Um trem e um bondinho depois e você... Precisa subir mais um pedaço da montanha a bordo de um funicular. Aí sim, você finalmente chegou ao parque de diversões.


O Parc d'Atraccions del Tibidabo foi inaugurado em 1901 e ainda mantém um quê de parque de diversões antigos. As atrações mais velhas dividem espaço com outras mais modernas, tudo isso em vários "andares", afinal, é um parque no topo de uma montanha. O Carrossel, pro exemplo, é de 1910.




Lá no alto da montanha está também o Temple del Sagrat Cor, uma igreja católica construída apenas com o dinheiro obtido por meio de doações dos fiéis. É bem interessante ver uma igreja dividindo espaço com um parque de diversões, ainda mais pelo lugar onde os dois foram construídos. Se hoje em dia já seria difícil erguer tudo isso no alto de uma montanha, imagina no início do século XX!


Confesso que fui até lá pensando muito mais nas fotos que na diversão, mas acabei curtindo muito o dia no parque. Como estava sozinha, acabei indo em algumas das atrações com crianças que estavam passeando por lá com grupos que organizam atividades de férias. Ri horrores com a Alina, a Gala e a Joana, três catalãs de 8 anos de idade com quem fui na roda gigante, e morri de amores pelo Biel, um fofo de 6 anos com quem fui numa mini montanha-russa. Nunca vou esquecer do Biel dizendo "me encantan las montañas rusas" com um sorrisão no rosto e aquele brilho de excitação infantil nos olhos.




A ida ao Tibidabo não foi um passeio lá dos mais baratos. Custou uns boooons euros, mas valeu cada centavo. O lugar é realmente incrível. Vale a pena não apenas pela diversão de um dia no parque - dá pra voltar a ser criança por lá - mas também porque é um daqueles lugares que pedem pra que você fotografe cada cantinho. Um ano depois da minha visita, acho que fotografei pouco. Sinto que vou ter que voltar lá um dia pra fazer mais fotos. E pra me divertir também. Que coisa, né?

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Uma ponte sobre o Douro

Estive no Porto por três dias em Julho do ano passado. Há muito tempo queria conhecer a segunda maior cidade de Portugal, e quando a oportunidade finalmente apareceu, não pensei duas vezes e já a coloquei logo no meu roteiro de viagem.

Assim, ao fim de uma semana em Lisboa, tomei um trem rumo ao norte de Portugal e, três horas depois, lá estava eu, na janelinha, embasbacada com a vista enquanto o comboio cruzava uma das muitas pontes sobre o Rio Douro. Sem dúvida foi uma das paisagens mais bonitas que eu já vi na vida.

Confesso que, apesar dessa emoção toda na chegada, demorei pra me apaixonar pela cidade. Depois de tantos dias em Lisboa, cidade que eu considero o meu lugar no mundo, foi difícil achar o mesmo encanto no Porto. Veja bem, não é que eu não tenha gostado de lá. Eu gostei, bastante. Acontece que a sensação que tive é que enquanto Lisboa vibrava e pulsava, o Porto dormia, num ritmo totalmente diferente da capital, o que não faz de forma alguma com que não seja um lugar encantador. Acho que posso dizer que são encantos diferentes.

No meu último por lá, cruzei a Ponte Luís I (pela parte mais alta, com vento e metrô passando. Friozinho na barriga é pouco perto do que senti, mas a vista lá de cima compensa, e como!) e fui conhecer as caves de Vinho do Porto na Vila Nova de Gaia. E foi lá que tive uma conversa bem interessante com um espanhol vindo de Madrid.

Nas visitas às caves, há sempre uma degustação de vinho no final. Estava na Cálem, e Juan e eu sentamos lado a lado. Ele olhou pra minha câmera, eu olhei pra dele e o assunto começou. Falamos de fotografia, claro. Quando eu disse que ainda não havia encontrado no Porto o mesmo encanto que encontrei em Lisboa, ele me disse "O Porto é mais bonito em preto e branco, vai ver é isso."

Algumas semanas depois, já em casa editando as fotos que fiz durante a viagem, entendi o que ele quis dizer. De fato, em preto e branco o tal encanto apareceu. É como se o Porto tivesse sido feito pra ser fotografado assim, como se ausência do colorido se encaixasse ao ritmo mais tranquilo e acolhedor da cidade.

As andanças por lá acabaram rendendo essa série de fotos da Ponte Luís I, principal cartão postal da cidade, que cruza o Douro e liga o Porto à Vila Nova de Gaia.








sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Dia das Crianças

Segunda-feira é um dos dias mais esperados do ano, pelo menos pela parcela da população que vai dos 0 aos, sei lá... 12 anos? Dia 12 de Outubro comemoramos o Dia das Crianças aqui no Brasil, e é claro que essa data não passaria batida pela lente da Vivian Maria (primeira vez que eu consegui fazer uma frase com o nome do blog! Ae! #trocadalho).

Eu gosto bastante de fotografar crianças e, por sorte, convivo com muitas, na família e no trabalho. Embora seja muito divertido pedir pros pequenos posarem para as fotos - "faz cara de quem viu um monstro", "isso, agora imagina que vocês são Os Vingadores" -, eu curto bem mais os cliques que acontecem de forma espontânea, quando eles não estão prestando atenção e brincam como se não existisse uma câmera por perto. São sempre essas as fotos que ficam mais legais.

Fui abençoada com uma família imensa: tenho muitas primas e primos que agora já são mães e pais. Ao todo, já tenho 12 "sobrinhos-priminhos", e o 13o já está a caminho. Assim, nada mais natural que ter muitas fotos da criançada.

Por isso, nada melhor pra comemorar o Dia das Crianças que compartilhar alguns desses cliques. Infelizmente não tenho fotos de todos aqui, pois alguns moram longe. Pretendo dar um jeito nisso até o ano que vem.

Bora brincar?


  







 





  





Feliz Dia das Crianças!!!