sábado, 17 de outubro de 2015

Tibidabo

Ti-bi-da-bo. Parece trava-línguas. Ou alguma brincadeira de criança. A segunda opção está mais próxima da verdade. O Parc d'Atraccions del Tibidabo é um parque de diversões que fica no topo da montanha de mesmo nome. Daí você deve estar se perguntando: "um parque de diversões no alto de uma montanha? Como isso é possível?" Pois eu te digo que esse lugar existe, sim. E tenho como provar:


Quando estive em Barcelona pela primeira vez em 2010, fui conhecer o Parc Güell - aquela lindeza de lugar que une a natureza à genialidade do Gaudí, e que  certamente será assunto de um post futuro. De lá dava pra ver que no alto de uma montanha existia um parque de diversões. Fiquei curiosa pra saber que lugar era esse, mas como tinha apenas três dias na cidade, nem procurei mais informações. Já de volta ao Brasil, estava assistindo Vicky Cristina Barcelona e eis que, de repente:



Pois é, lá estava o Javier-muso-Bardem no tal parque. Daí foi só fazer uma pesquisa rápida no google pra descobrir que lugar era esse. Ficou na minha listinha de "coisas pra fazer em Barcelona" quando voltasse à cidade. No ano passado, eu finalmente voltei e fiz questão de incluir o Tibidabo no meu roteiro.


Na primeira foto desse post dá pra ter uma ideia da distância entre o parque e o centro da cidade. Chegar até lá leva um tempinho, mas a jornada vale a pena: depois de tomar um trem na Plaça Catalunya, você chega a Avinguda Tibidabo. Sim, o nome é o mesmo, mas você ainda não chegou ao destino final. Lá, você toma o Tramvia Blau, um simpático e antigo bondinho que sobe o morro passando pelos casarões antigos do bairro de Sarriá. Um trem e um bondinho depois e você... Precisa subir mais um pedaço da montanha a bordo de um funicular. Aí sim, você finalmente chegou ao parque de diversões.


O Parc d'Atraccions del Tibidabo foi inaugurado em 1901 e ainda mantém um quê de parque de diversões antigos. As atrações mais velhas dividem espaço com outras mais modernas, tudo isso em vários "andares", afinal, é um parque no topo de uma montanha. O Carrossel, pro exemplo, é de 1910.




Lá no alto da montanha está também o Temple del Sagrat Cor, uma igreja católica construída apenas com o dinheiro obtido por meio de doações dos fiéis. É bem interessante ver uma igreja dividindo espaço com um parque de diversões, ainda mais pelo lugar onde os dois foram construídos. Se hoje em dia já seria difícil erguer tudo isso no alto de uma montanha, imagina no início do século XX!


Confesso que fui até lá pensando muito mais nas fotos que na diversão, mas acabei curtindo muito o dia no parque. Como estava sozinha, acabei indo em algumas das atrações com crianças que estavam passeando por lá com grupos que organizam atividades de férias. Ri horrores com a Alina, a Gala e a Joana, três catalãs de 8 anos de idade com quem fui na roda gigante, e morri de amores pelo Biel, um fofo de 6 anos com quem fui numa mini montanha-russa. Nunca vou esquecer do Biel dizendo "me encantan las montañas rusas" com um sorrisão no rosto e aquele brilho de excitação infantil nos olhos.




A ida ao Tibidabo não foi um passeio lá dos mais baratos. Custou uns boooons euros, mas valeu cada centavo. O lugar é realmente incrível. Vale a pena não apenas pela diversão de um dia no parque - dá pra voltar a ser criança por lá - mas também porque é um daqueles lugares que pedem pra que você fotografe cada cantinho. Um ano depois da minha visita, acho que fotografei pouco. Sinto que vou ter que voltar lá um dia pra fazer mais fotos. E pra me divertir também. Que coisa, né?

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Uma ponte sobre o Douro

Estive no Porto por três dias em Julho do ano passado. Há muito tempo queria conhecer a segunda maior cidade de Portugal, e quando a oportunidade finalmente apareceu, não pensei duas vezes e já a coloquei logo no meu roteiro de viagem.

Assim, ao fim de uma semana em Lisboa, tomei um trem rumo ao norte de Portugal e, três horas depois, lá estava eu, na janelinha, embasbacada com a vista enquanto o comboio cruzava uma das muitas pontes sobre o Rio Douro. Sem dúvida foi uma das paisagens mais bonitas que eu já vi na vida.

Confesso que, apesar dessa emoção toda na chegada, demorei pra me apaixonar pela cidade. Depois de tantos dias em Lisboa, cidade que eu considero o meu lugar no mundo, foi difícil achar o mesmo encanto no Porto. Veja bem, não é que eu não tenha gostado de lá. Eu gostei, bastante. Acontece que a sensação que tive é que enquanto Lisboa vibrava e pulsava, o Porto dormia, num ritmo totalmente diferente da capital, o que não faz de forma alguma com que não seja um lugar encantador. Acho que posso dizer que são encantos diferentes.

No meu último por lá, cruzei a Ponte Luís I (pela parte mais alta, com vento e metrô passando. Friozinho na barriga é pouco perto do que senti, mas a vista lá de cima compensa, e como!) e fui conhecer as caves de Vinho do Porto na Vila Nova de Gaia. E foi lá que tive uma conversa bem interessante com um espanhol vindo de Madrid.

Nas visitas às caves, há sempre uma degustação de vinho no final. Estava na Cálem, e Juan e eu sentamos lado a lado. Ele olhou pra minha câmera, eu olhei pra dele e o assunto começou. Falamos de fotografia, claro. Quando eu disse que ainda não havia encontrado no Porto o mesmo encanto que encontrei em Lisboa, ele me disse "O Porto é mais bonito em preto e branco, vai ver é isso."

Algumas semanas depois, já em casa editando as fotos que fiz durante a viagem, entendi o que ele quis dizer. De fato, em preto e branco o tal encanto apareceu. É como se o Porto tivesse sido feito pra ser fotografado assim, como se ausência do colorido se encaixasse ao ritmo mais tranquilo e acolhedor da cidade.

As andanças por lá acabaram rendendo essa série de fotos da Ponte Luís I, principal cartão postal da cidade, que cruza o Douro e liga o Porto à Vila Nova de Gaia.








sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Dia das Crianças

Segunda-feira é um dos dias mais esperados do ano, pelo menos pela parcela da população que vai dos 0 aos, sei lá... 12 anos? Dia 12 de Outubro comemoramos o Dia das Crianças aqui no Brasil, e é claro que essa data não passaria batida pela lente da Vivian Maria (primeira vez que eu consegui fazer uma frase com o nome do blog! Ae! #trocadalho).

Eu gosto bastante de fotografar crianças e, por sorte, convivo com muitas, na família e no trabalho. Embora seja muito divertido pedir pros pequenos posarem para as fotos - "faz cara de quem viu um monstro", "isso, agora imagina que vocês são Os Vingadores" -, eu curto bem mais os cliques que acontecem de forma espontânea, quando eles não estão prestando atenção e brincam como se não existisse uma câmera por perto. São sempre essas as fotos que ficam mais legais.

Fui abençoada com uma família imensa: tenho muitas primas e primos que agora já são mães e pais. Ao todo, já tenho 12 "sobrinhos-priminhos", e o 13o já está a caminho. Assim, nada mais natural que ter muitas fotos da criançada.

Por isso, nada melhor pra comemorar o Dia das Crianças que compartilhar alguns desses cliques. Infelizmente não tenho fotos de todos aqui, pois alguns moram longe. Pretendo dar um jeito nisso até o ano que vem.

Bora brincar?


  







 





  





Feliz Dia das Crianças!!!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Por aí: Buenos Aires

Passei toda a minha infância viajando muito em família. Eram outros tempos, quando bastava pegar as crianças e algumas malas pra cair na estrada; não existia essa preocupação em levar brinquedos, iPad e uma mala de remédios, entre outras coisas. Fizemos muitas viagens de carro. Puxando aqui pela memória, sei que fomos - papai, mamãe e filhinhas (durante alguns aninhos só uma filhinha, no caso, eu. Minha irmã chegou depois, e por um período meu irmão também estava junto) - para Gramado (RS), Caxambu (MG), Morro dos Conventos e Piçarras (SC), Brasília (DF), Caldas Novas (GO), Curitiba (PR), Ilhéus e Salvador (BA).

Pois é. Acho que dá pra dizer que eu fui uma criança bem rodada. Dentro dessa cenário, existiam duas possibilidades: eu podia crescer e odiar viagens devido ao trauma de passar taaaaantas horas dentro de um carro, ou eu podia me tornar uma adulta que adora viajar. Trauma? Aqui não. Até hoje uma das coisas que eu mais gosto nessa vida é ver o sol nascendo ou se pondo na estrada. Então, acho que já ficou bem claro que acabou vencendo a segunda opção.

Assim, não foi surpresa pra ninguém quando, pela primeira vez na minha vidinha de assalariada, sobrou um pouco de dinheiro e eu resolvi viajar. Foi em 2008. O destino escolhido foi Buenos Aires por motivos de: o peso argentino estava bem barato, e, convenhamos, isso é quase sempre um fator decisivo quando você está fazendo planos de viagem. Papai tinha umas milhas da finada Varig que estavam pra vencer e me deu as passagens de presente. E aí, lá fui eu conhecer a capital argentina. Como companhia, uma Sony Alpha100 que eu havia ganhado de presente de um tio no começo do ano. E só.

Fiquei 4 dias em BsAs: três perambulando sozinha pelas calles portenhas e um com o Pablo, guia que acabou virando amigo e com quem já encontrei por lá outra vez. Diz Pablito que nenhum rinconcito da cidade passou ileso pela minha câmera (nem sei se ele lembra que falou isso, mas eu nunca esqueci! rs). Realmente, voltei de lá com as malas cheias de alfajor, claro, e um cartão de memória com muitas fotos. 


Fiquei hospedada no bairro de Palermo, um dos maiores e mais charmosos da cidade. Lembro que logo depois de fazer o check-in no hostel, fui almoçar e já saí passeando e clicando pelas redondezas. A primeira parada foi o Jardín Botánico, um lugar lindo onde a arte e a natureza convivem em perfeita harmonia. A foto acima foi uma tentativa de capturar essa convivência. Até hoje não sei quem chegou primeiro, se foi a árvore ou a estátua. Sei que as duas se completam, lindas. Em seguida fui ao Jardín Japonés, que também fica na mesma região.



No dia seguinte, andei muito - muito mesmo - pela cidade inteira. La Boca, Caminito, San Telmo, Calle Florida, Plaza de Mayo, Puerto Madero e mais, muuuito mais. Embora o tempo estivesse nublado, com direito a uma garoinha chata em alguns momentos, a turistança foi bem proveitosa. Um lugar que eu gostei bastante de conhecer foi o estádio La Bombonera. Pra quem curte futebol, é impossível não sair de lá com vontade de voltar pra assistir um jogo do Bocajuniors.


Depois de dois dias de céu cinza, o sol resolveu enfim aparecer nas terras portenhas. Aproveitei pra revisitar alguns lugares onde tinha ido no dia anterior, pra curtir o céu azul e o clima gostoso. Os escolhidos foram Puerto Madero e a Recoleta.



Desde essa primeira ida a Buenos Aires, sempre tento fugir das tais fotos "clichê". Nada contra, acho que elas têm um papel importante nos registros de viagens e, além disso, cada um fotografa aquilo que quer. Perceba que eu usei a palavra "tento" lá no começo, o que quer dizer que nem sempre sou bem-sucedida. Eu gosto de procurar ângulos diferentes, ou encontrar em algum lugar que todo mundo vai algo que quase ninguém vê. Não é à toa que essa foto aí embaixo é a minha favorita dessa viagem: foi em algum lugar do Caminito, e quando voltei à cidade em 2011 não consegui encontrar essas duas chicas por lá.



Foi assim que eu descobri a minha combinação favorita: viajar e fotografar. Viagens e fotos. Pra mim não existe par melhor que esse na vida. Fotografar é uma paixão, e fazer isso ao mesmo tempo que conheço ou revisito um lugar provoca uma sensação de euforia que acho que nunca vou conseguir colocar em palavras. Talvez nem precise. Talvez as imagens falem por si.

Por enquanto, viver de viajar e fotografar é só um sonho. Já rolou um trabalho que envolvesse as duas coisas, mas foi o único até aqui. Quem sabe um dia? Vai que essa página me leva até à Lonely Planet ou à National Geographic. Nunca se sabe. Pelo menos sonhar ainda é de graça.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Primeiros Pixels

O ano era 2005. Enfim uma câmera digital chegou às minhas mãos cheias de vontade de sair fotografando por aí. Era uma Sony Cybershot; não lembro o modelo exato, mas fazia fotos com resolução de 5.1 megapixels, o que era bastante pra época, principalmente pra uma point & shoot.

Você está aí se perguntando: "mas o que é uma point & shoot?" Calma. Eu explico.

Point & shoot são as câmeras compactas, aquelas que a maioria das pessoas têm. A lente não é removível, o flash é embutido e a tela de LCD é quem faz as vezes de visor. É um tipo de equipamento mais fácil de ser usado, já que trabalha com ajustes automáticos, embora tenha algumas possibilidades de ajustes manuais - mesmo na versão bridge, que é aquela um pouco maior que se parece com uma DSLR. 

Ok, eu sei, agora você está se perguntando o que é um DSLR. A sigla significa digital single-lens reflex, ou "reflexo por lente única". Isso quer dizer, basicamente (bem basicamente) que é uma câmera que tem um mecanismo de espelho que permite que o fotógrafo veja a imagem por meio da lente da câmera enquanto faz os ajustes, expondo o sensor (que substituiu o filme) à luz. São aquelas câmeras que muita gente chama de "profissional", embora nem todas sejam.

Enfim, voltando a 2005 e à Sony Cybershot. Eu já tinha algumas noções básicas de fotografia, mas, por ter nas mãos uma câmera compacta, as possibilidades de "brincar" acabavam sendo também compactas. Mas confesso que a tal Sony tinha um recurso que eu gostava muito: era possível fazer com elas fotos em preto e branco!

Uma das primeiras vezes que levei a Cybershot pra passear foi... Sim, no centro de São Paulo (prometo escrever mais sobre o centro mais pra frente!). Subimos ao Empire State tupiniquim - o Edifício Altino Arantes, também conhecido como Prédio do Banespa. Esse passeio acabou rendendo uma das minhas fotos favoritas, que é essa:



Fiz essa foto sem pensar muito: mirei a câmera pro alto e cliquei. Acabou dando certo (pelo menos na minha opinião). Ainda fiz muitas outras com a Cybershot até ter a minha primeira DSLR; cheguei até a tentar brincar um pouquinho com velocidade e abertura. Foi um equipamento muito útil pra começar.



Hoje em dia as câmeras compactas têm perdido um pouco seu espaço para os telefones celulares, que não apenas fazem as vezes de câmera fotográfica, mas permitem também o compartilhamento imediato das imagens em redes sociais como Instagram, Facebook, Snapchat e outras.

A verdade é que tanto as câmeras compactas como os smartphones são um bom começo pra quem tem vontade de fotografar. São simples e pequenos, fáceis de usar e cabem no bolso, além de chamarem bem menos atenção que uma DSLR, e serem mais baratos também. Equipamentos fotográficos costumam ser caros, e só valem o investimento se você realmente souber - ou tiver vontade de aprender - o que fazer com ele. Já vi gente por aí dizendo que entrou "naquela tal de BH de Nova York" e pediu "a câmera mais cara da loja", e aí não sabia nem a maneira correta de segurar a tal câmera. Pra quê, né?

Eu uso uma Nikon D80, velha de guerra que me acompanha há quase 6 anos, e também um iPhone 5 para fazer as minhas fotos. Confesso que não me dou muito bem com as câmeras compactas - muito provavelmente pela falta de uso. Há quem torça o nariz e ache que as fotos feitas com equipamentos mais simples têm menos valor. Eu aqui penso que isso é uma besteira e que o importante é fotografar, não importa o suporte usado pra isso. Acontece que existe uma diferença bem grande entre simplesmente clicar e fotografar de fato. Mas isso é assunto pra outro post...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

No início era o filme...

Era uma vez uma garotinha que sempre via o pai com uma câmera fotográfica no pescoço; a primeira foi uma Pentax, depois veio uma Minolta modernosa trazida sob encomenda do Japão, numa época em que não existia Ebay nem Aliexpress. Isso era lá pelos anos 80, até meados dos 90, quando a garotinha se tornou uma adolescente e ganhou, enfim, uma Canon basiquinha que ela levava pra escola e pros passeios da escola e pra cima e pra baixo, tirando fotos dos amigos, do cachorro e de qualquer outra coisa que parecesse minimamente fotografável.

Corta pra 2003. A garotinha, então uma adulta de quase 21 anos, está no segundo ano da faculdade de Comunicação Social com ênfase em Rádio e TV. Na grade curricular, uma surpresa: uma disciplina chamada Fotografia, com direito a aulas no laboratório pra aprender a revelar filmes e ampliar as fotos feitas nas saídas fotográficas com a câmera emprestada da universidade. Aí aconteceu o óbvio: sabe quando dizem aquelas coisas estúpidas tipo "fulano tem tendência a engordar porque a mãe dele é gordinha, o pai também, sabe como é, né?" Então, já estava no meu DNA essa predisposição a gostar de instantes congelados e eternizados em frames fotográficos.

A primeira vez que me vi na rua pra fotografar foi em Agosto de 2003. A câmera era uma Nikon emprestada pela Universidade São Judas Tadeu, onde eu estudava na época. Dentro dela, um filme preto e branco cedido gentilmente pela professora Dora (com quem infelizmente perdi contato). O lugar escolhido pra clicar foi o centro da cidade. E uma das minhas primeiras fotos foi essa:


O que me encanta nessa foto nem é tanto a imagem em si, embora ela até que seja bem pensada pra um dos primeiros cliques da vida: a placa que proíbe carros, o carro parado ao lado dela, o homem parado ao fundo, os terços bem dividinhos (a regra dos terços fica pra um próximo post). O que me faz gostar dessa foto é o fato de todo o processo ter passado pelas minhas mãos. Eu pensei na imagem, eu enquadrei, eu cliquei, eu revelei o filme, eu ampliei a foto, eu a trouxe pra casa. Ou seja, da ideia ao produto final, tudo foi feito por mim.

Daí em diante, não parei mais. Fiz outras fotos em filme ainda, mas revelados e ampliados por outros, em outros laboratórios. Naquela época o suporte digital ainda engatinhava.



Hoje em dia é difícil encontrar quem ainda fotografe com filme. Pra mim, existe um certo romantismo nisso: comprar o filme, pensar bem antes de clicar (afinal, não dá pra ver o resultado instantaneamente num visor), revelar, ampliar, ver a foto surgindo no papel. Gosto do digital, acho que facilita muito, além de ser mais barato. Mas o filme pressupõe um outro tipo de relação com a fotografia, mais devagar, menos imediatista, mais pensada, cheia de expectativa. Será que a foto ficou boa?

A Pentax, aquela que citei lá no começo do texto, está numa prateleira, no meu quarto. Precisa de conserto, pois não está disparando, ou seja, não fotografa. Já fiz um orçamento e estou só esperando uma graninha sobrar pra arrumar a câmera que fez as fotos da minha infância. O plano é comprar alguns filmes e depois fazer um curso de revelação e ampliação, pra acompanhar todo o processo de novo, dessa vez com uma velha e conhecida companheira. Mais romântico que isso, impossível.