(Este é um post com trilha sonora. Para ouvir, clique
aqui.)
Já falei em posts anteriores que estive duas vezes em Lisboa? Não lembro. Pois bem, a primeira foi em 2010, a segunda em 2014 e a terceira eu espero que não demore a chegar. Sabe amor à primeira vista? É isso. Eu me apaixonei por Lisboa ainda dentro do avião, vendo pela janelinha o Tejo, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, o Aqueduto das Águas Livres... Pra sedimentar de vez esse amor no meu coração, no dia da minha chegada, logo que desci do táxi, entrei na Rua Augusta (pois é, lá também tem uma, mas é bem diferente da nossa aqui), dei de cara com o Arco Triunfal e - eu juro - alguém começou a tocar um fado num acordeon. Eu chorei, eu passei reto pelo hostel onde ia ficar, eu esqueci do frio, eu esqueci de tudo. Eu me apaixonei ali, naquele instante, e posso afirmar que é amor-verdadeiro-amor-eterno até hoje, quase seis anos depois daquele 20 de janeiro de 2010.
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| Lisboa vista do alto do Mosteiro de São Vicente de Fora |
Dito isso, não vou me alongar muito aqui sobre meu sentimento por essa cidade que considero meu lugar no mundo e onde ainda quero morar um dia. Já escrevi para o site Iza Pelo Mundo sobre
10 motivos para amar Lisboa, mas te garanto que consigo achar muitos mais. Faz tempo que tenho pensado em um post sobre esse assunto, mas nem sempre é fácil escrever sobre algo que a gente ama (pelo menos pra mim, não é). Assim, em vez de escrever um texto só falando sobre a cidade toda, resolvi dar uma de Jack, o estripador (vocês perdoam a piadinha infame e clichê?) e ir por partes. Talvez assim seja mais fácil.
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| Mapa em azulejos com sugestões de roteiros por Alfama |
Resolvi começar por Alfama por ser um dos bairros mais representativos de Lisboa, e também o mais antigo de todos, tendo sobrevivido ao terremoto de 1755 que devastou a cidade. É um bairro pitoresco, com ruas e vielas estreitas, muito sobe e desce, fado, azulejos, roupas estendidas do lado de fora das janelas e balcões, enfim, "é uma casa portuguesa, com certeza". Ainda tem um castelo e um mosteiro. Tudo isso na colina mais alta da capital portuguesa, o que ainda faz com que existam por ali vários miradouros - que aqui nós chamamos de mirantes - de onde é possível admirar o rio Tejo, os telhadinhos vermelhos e tudo mais de lindo que Lisboa tem pra oferecer.
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| "É, com certeza, uma casa portuguesa" |
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| Na saída do Panteão Nacional |
Na primeira vez que estive por lá, em janeiro de 2010, era inverno. Fiquei só 4 dias na cidade, e justamente no dia que fui ao Castelo de São Jorge pra depois descer a pé pelo bairro, choveu muito. Choveu o dia todo. Tentei ir no dia seguinte, mas a chuva não deu trégua. Acabou não rolando e ficou na minha listinha de coisas pra fazer quando voltasse a Portugal.
Já em julho de 2014, a história foi outra: verão, muito sol, muito calor, céu azul e uma semana inteira pra curtir Lisboa. Fui duas vezes a Alfama. Na primeira, fiquei um dia inteiro por lá, passando pela Feira da Ladra, Panteão Nacional, Mosteiro de São Vicente de Fora (lugar incrível e assunto pra outro post), Castelo de São Jorge e Largo das Portas do Sol, a partir de onde comecei a andar sem rumo até chegar à Baixa.
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Azulejos na Feira da Ladra
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Cantinhos escondidos do bairro
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Na segunda vez, tentei seguir um roteiro do site
Lisbon Lux, mas confesso que foi muito difícil. O bairro tem muitas ruas, vielas, travessas, escadinhas e escadarias, às vezes com o mesmo nome. É fácil se perder por lá, e, pra ser sincera, acho que o melhor que pode acontecer é isso mesmo. Alfama é um lugar perfeito pra perder o rumo, andar a esmo, só observando e aproveitando cada surpresa que surge no final de uma viela ou ao virar uma esquina. Alfama é onde a gente se perde e encontra uma beleza sem fim.
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| Cheira bem, cheira à Lisboa... |
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| Alfama vista do Largo das Portas do Sol |
Termino esse post com o coração cheio de saudade da minha cidade da favorita e das minhas andanças sem rumo por seu bairro mais icônico. Para quem pretende visitar Lisboa um dia, deixo aqui a dica: reserve um dia, ou pelo menos uma parte de um dia, pra se perder pelas vielas d'Alfama. Guarde o mapa na mochila e o relógio também, deixe a curiosidade ser seu guia. Às vezes é bom deixar os planos e os roteiros de lado e simplesmente viver o lugar, e Alfama, sem dúvida, é o espaço perfeito pra essa despreocupação. Caminhe devagar, olhos e ouvidos atentos, e tenho certeza que você vai encontrar surpresas lindas quando menos esperar. Foi assim que aconteceu comigo.
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| Ruas, vielas, becos, travessas... |
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| Roupas e bandeiras nas janelas (era época de Copa) |
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| São Vicente, padroeiro da cidade, fica por lá |
P.S.: Quer ver um pouquinho mais d'Alfama pelos olhos de uma outra pessoa? Que tal o diretor Wim Wenders? É dele o filme
Lisbon Story (que aqui no Brasil tem o nome
O Céu de Lisboa), que tem o bairro como um de seus cenários principais. Deixo
aqui minha cena favorita, que não só mostra um pouquinho da beleza da cidade, mas também é de uma delicadeza que só os grandes gênios do cinema são capazes. O clipe do link láááá do começo do post tem imagens desse filme, que tem trilha sonora do grupo português Madredeus.
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